sábado, 28 de abril de 2012


Pérgamo, a Igreja Casada com o Mundo - Rede Brasil de Comunicação

Igreja Evangélica Assembléia de Deus - Recife / PE
Superintendência das Escolas Bíblicas Dominicais
Pastor Presidente: Ailton José Alves
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LIÇÃO 05 - PÉRGAMO, A IGREJA CASADA COM O MUNDO
INTRODUÇÃO
As cartas enviadas às igrejas da Ásia nos trazem grandes lições e ensinamentos, não apenas no aspecto histórico, mas, principalmente, espiritual. Estudando e meditando nestas cartas, somos motivados a imitar os bons exemplos daquelas igrejas, bem como evitar os mesmos erros que ocorreram nas mesmas. Nesta lição, além de estudarmos o contexto histórico e cultural da cidade de Pérgamo, veremos também a mensagem de Cristo à igreja que havia naquela cidade, tanto os aspectos positivos quando negativos, bem como a promessa de Cristo para os cristãos daquela localidade, que se aplicam a todos os vencedores.
I - IMPORTANTES INFORMAÇÕES SOBRE A CIDADE
1.1 Nome. O nome Pérgamo no grego significa “casado“. A cidade fora construída sobre uma colina cuja altura chegava a 300 metros acima da região que a circundava, sendo portanto uma fortaleza natural. Era uma cidade sofisticada, centro da cultura e da educação grega com uma biblioteca de aproximadamente 200 mil volumes.
1.2 Geografia. Era uma cidade da província romana da Ásia, na parte ocidental do que hoje é a Turquia. Ela havia sido a antiga capital de Átalo, uma cidade-estado doada ao império romano, em 133 a.C., estava próxima do vale do rio Caico. Tinha considerável importância comercial, política e religiosa. As principais estradas da Ásia ocidental convergiam para aquela cidade. Lá, fabricava-se unguento, vasos e pergaminhos.
1.3 Religião. Pérgamo era a sede de um antigo culto de mágicas babilônicas. Também um importante centro de culto ao imperador, além de se tornar a sede de quatro dos maiores cultos pagãos, a saber: a Zeus, a Atena, a Dionísio e a Asclépio. Por tudo isso, Jesus declara que a igreja habitava onde estava “o trono de Satanás” (Ap 2.13). A palavra “trono” (no grego hodierno, “thronos“), é usado no Novo Testamento como sentido de “trono real” (Lc 1.32,52), ou com o sentido de “tribunal judicial” (cf. Mt 19.28 e Lc 22.30). Alguns estudiosos tentam imaginar literalmente qual seria esse trono, e afirmam que:
1.3.1 Tratava-se da colina que havia por detrás da cidade, com trezentos metros de altura, na qual havia muitos templos e altares;
1.3.2 Tratava-se de um gigantesco altar dedicado a Zeus, construído sobre uma imensa base que estava a duzentos e quarenta metros acima do nível do mar;
1.3.3 Tratava-se de vários templos construídos com o propósito de oficializar o culto ao imperador.
Certamente todos esses lugares trazem consigo uma simbologia muito forte no que diz respeito “ao trono de Satanás”, mas o significado dessa expressão certamente é espiritual, e a palavra trono de (Ap 2.13) aponta para o lugar onde Satanás exercia autoridade como se fosse um rei. Este sempre foi o desejo do Maligno, ter o seu próprio trono “E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, aos lados do norte“. (Is 14.13).
Essa igreja aprendeu a adaptar-se ao mundo, desfrutando de seus confortos e participando de seus vícios. É bom, porém, lembrar que eles ganharam conforto, mas perderam em espiritualidade (Ap 2.14,15). Traçando um paralelo entre as igrejas da Ásia e a história do cristianismo, poderíamos correlacionar a de Pérgamo com a época da “conversão” do imperador Constantino, que publicou um edito de tolerância, o que pôs fim às perseguições contra a igreja, mas também diminuiu consideravelmente o fervor espiritual de muitos cristãos da época. Houve um casamento entre o santo e o profano, pois, ao mesmo tempo em que o cristianismo se tornou a religião oficial do Império, cultos a deuses pagãos também eram realizados.
II - OS PONTOS POSITIVOS DA IGREJA DE PÉRGAMO
Como podemos perceber, o Senhor Jesus, inicialmente, elogiou o anjo daquela igreja: “…e reténs o meu nome, e não negaste a minha fé…” (Ap 2.;13). O Senhor ainda faz menção de um Antipas, de quem nada se sabe ao certo, exceto aquilo que se depreende do texto, uma fiel testemunha (Ap 2.13). A palavra grega para “testemunha” é “mártys“.
Inicialmente, esta palavra fora usada para designar todos os que davam testemunho de Cristo (At 1.8), no entanto, com as perseguições romanas passou a ser usado para designar a pessoa que morria por não negar a sua fé em Cristo (Ap 2.13-b). “Antipas, o bispo de Pérgamo, foi colocado dentro de um boi feito de bronze, e a seguir foi aquecido ao rubro. Seu corpo foi literalmente, cozido, na chama abrasadora” (SILVA, 2006. p. 22).
III - OS PONTOS NEGATIVOS DA IGREJA DE PÉRGAMO
Depois dos elogios, o Senhor utilizou a expressão “Mas umas poucas coisas tenho contra ti”, expressão de reprovação, quanto à Pérgamo estava relacionada principalmente à doutrina de Balaão e à doutrina dos Nicolaítas.
Vejamos em que consistiam seus ensinamentos:




3.1 Doutrina de Balaão. Essa doutrina tinha duas vertentes principais, a saber: a idolatria e a prostituição. As suas origens estavam no episódio ocorrido no A.T., quando os filhos de Israel estavam para invadir as campinas de Moabe, que tinha como rei, Balaque (Nm 22.1,2). Este, temendo sobremaneira o povo de Deus, contratou Balaão para amaldiçoar os israelitas (Nm 22.1-7). As intenções de Balaque eram:
  • Ferir o povo e expulsá-lo da terra (Nm 22.6);
  • Conquistar o favor de Balaão mediante pagamento (Nm 22.17);
  • Amaldiçoar o povo de Deus através de sacrifícios a deuses pagãos (Nm 22.41);
  • Insistir com Balaão até que ele o ensinasse a lançar tropeços ao povo (Nm 23.12,13,27);
A princípio, Balaão não satisfez o intento de Balaque e falou o que o Senhor lhe mandara (Nm 2.13-18). Porém, ao ver o prêmio oferecido pelo iníquo rei, o caráter daquele homem não suportou e ele cedeu, ensinando Balaque a lançar tropeços diante do povo de Deus (Nm 31.16). Tais tropeços se manifestaram através do pecado de prostituição, e da idolatria, que causou grande prejuízo entre os israelitas (Nm 25.1-9).
A doutrina de Balaão perpassou os séculos e chegou à época neotestamentária. Tal postura foi adotada pelos falsos mestres que, mercantilistas e avarentos, sem comprometimento algum com Deus e a sua Palavra, perturbavam a igreja primitiva. Eles foram duramente combatidos pelos apóstolos (II Pe 2.15; Jd 11), e pelo próprio Senhor Jesus (Ap 2.14). Ainda hoje existem arautos de Balaão, cujo objetivo é totalmente financeiro e cujos ouvintes estão mergulhados na imoralidade e na idolatria (Rm 16.18; II Tm 3.1-4; II Pe 2.1-3). Mas a recompensa deles não dormita (II Pe 2.4-21; Jd 12,13).
3.2 A doutrina dos Nicolaítas. Não há certeza absoluta quanto à identidade desta seita. Porém alguns estudiosos tentam sugerir esta heresia a Nicolau, prosélito de Antioquia e que foi separado para o diaconato conforme (At 6.5).
Afirmam eles que assim como os doze tiveram um apóstata, assim sucedeu com os sete diáconos, um deles apostatou.
Essa argumentação também não possui respaldo bíblico.
Como já vimos em outra lição, os nicolaítas também perturbavam a igreja de Éfeso (Ap 2.6). Interessante que em Éfeso Jesus falou das obras dos nicolaítas (Ap 2.6), enquanto em Pérgamo o Senhor mencionou a sua doutrina (Ap 2.15). Certamente um ensino perverso, corrupto e lascivo, influenciado pelo gnosticismo, que pregava a malignidade da matéria, chegando à conclusão de que o corpo deveria ser exposto a toda sorte de pecado.
3.3 Exortações. Apesar da perseverança e fidelidade do anjo daquela igreja (Ap 2.13), havia crentes que tinham caído no engodo das doutrinas de Balaão e dos nicolaítas, o que trouxe a idolatria e a imoralidade para o seio daquela igreja (Ap 2.15). Todavia, o Senhor lhes convida ao arrependimento (Ap 2.16). A forma mais eficaz de se combater tais heresias é fazendo uso da Palavra. Por isso, Jesus se apresentou ao anjo desta igreja como “aquele que tem a espada aguda de dois gumes” (Ap 2.12), que é uma referência à Palavra de Deus (Hb 4.12). Portanto, falsos ensinamentos se combatem com a sã doutrina (II Tm 4.2-4; Tt 1.10-16; 2.1; Ap 2.16).
CONCLUSÃO
Era árdua a tarefa do anjo da igreja de Pérgamo, que habitava onde estava o trono de Satanás e onde circulavam duas terríveis heresias acima citadas. Ele, porém, precisava se esforçar para manter a fidelidade ante as pressões externas e combater firme e incansavelmente os falsos ensinos que estavam levando o povo à imoralidade e à idolatria. O quadro era difícil, mas quem vencesse comeria do maná escondido e receberia um novo nome “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer darei a comer do maná escondido, e dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe” (Ap 2.17).
REFERÊNCIAS
  • BÍBLIA de Estudo Aplicação Pessoal. CPAD.
  • CHAMPLIN, R.N. O Novo Testamento Interpretado versículo por Versículo. HAGNOS.
  • ANDRADE, Claudionor Correia; Os Sete Castiçais de Ouro: A mensagem final de Cristo à Igreja
  • STAMPS, Donald C.; Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD.
  • SILVA, Severino Pedro da. Apocalipse, versículo por versículo. CPAD.
  • ANDRADE, Claudionor de. Dicionário Teológico. CPAD.
Publicado no site da Rede Brasil de Comunicação